terça-feira, 1 de abril de 2008

018 A imperiosa ordem de se amarem




Os corpos desejam-se gastos e cansados, na imperiosa ordem de se amarem e os fluídos vitais se purificarem.

Os corpos que se tocam em profunda penetração de prazer quase ignóbil em tremenda e louca excitação.

Os corpos que se amam, de alma ausente, em conhecimento de cada ruga, cada músculo tenso e gemidos provocados pelo tesão.

Eles que não pensam na necessidade de um plano concreto, nas virtudes de um mundo perfeito, apenas um pouco de fornicação.

Eles viajam na ténue linha que separa o amor do mero abandono, numa relação de pura ausência, amor sem explicação.

Eles vibram semeando suor salgado e lágrimas de ilusão num contexto de trevas transformado numa imaginária luxúria.

É imperioso que se amem até o coração se cansar e um ataque cardíaco os mate, saciando o pecado da alegria.

É fanática a solução de se amarem até esquecerem outras formas ou o mundo a precisar de pacificação.

É impossível no auge de um orgasmo e de fluídos em alegre ebulição, parar e retomar a prisão anunciada.

Apenas que se amem, cegos das fronteiras do perigo, mesmo que em frondosas e falsas promessas de tentação.

Apenas façam o que lhes vai na vontade do corpo, sem pensarem sequer nas ardentes profundezas do Inferno.

Apenas que vivam longe da moral, dos preconceitos e ideias feitas de uma sociedade podre e confusa!

1 comentário:

Dolores Quintão Jardim disse...

Sem dúvida amigo..

Amar é sempre muito bom.


Beijinhos do lado de cá!

Continue assim sempre!