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sábado, 30 de junho de 2007

o medo do dia seguinte





Sempre quis começar o dia com algum tipo de felicidade
viajar pelas ruas sujas de seringas usadas à tua procura
caída nalgum canto à procura de uma morte rápida, menos indolor
que a vida gasta. mas segui sempre indiferente ao destino
e à entrada do teu pesadelo virava sempre as costas, cobarde, longe
da consciência, do sentido de dever, das constelações de merda e
da futilidade em que se havia tornado a vida das pessoas, seguia, ia.
E tu vendias os restos inglórios em que se havia tornado o teu corpo,
abandonado pela alma que já morava em mim e não te queria saber.
De qualquer forma uso as palavras e digo que sim, que tudo fiz
que tentei tudo o que podia por ti. e ao chegar à tua rua de amargura,
virei as costas, disse ao meu medo que não te conhecia
para não cair no saco roto das consciências imberbes, podres.
E um dia pus uma pedra no assunto, fiz de conta que não era nada o que nos unira e lá apareceste numa página de jornal sensacionalista
como um peso de que a sociedade se livrara, virei a página e segui.
Quantas vezes se vira a página e se segue?
Como é fácil viver sem essa consternação,
ignorando a vida com a cabeça escondida na areia,
onde inúteis, nos refugiamos.



link para o áudio

Mar



Foram dias de súplicas
não me sentia extraordinário
nem havia o sentido da liberdade deliberada
não o raio do amor não cirandava na espuma
na fúria do mar revolto pela tempestade envolvente.
Olhava em redor
a paga era apenas o vento a desgastar as rochas
do pedaço mais Ocidental da Europa
consumi um pedaço de consciência já apagada
redimi os pecados a um deus sem forma
a uma entidade sem crença nem abalo.

Foram os dias da falta de abraços quentes
dos beijos urgentes
antes da chegada de algum demónio antigo
e quando chegava a manhã, da ressaca e do silêncio ao redor
apenas o mar acalmava o desejo
de por fim às súplicas de ignorância
de imaturidade e inconsistência.

E eu fiquei ali sentado,
a olhar para o desconhecido
à espera dos teus olhos de sereia
do chamamento de Poseidon
que me levasse para longe
para a profundidade
onde nem os peixes se escondem
apenas o que poderia ser o dealbar
a aurora de uma nova encarnação
o descanso da fúria mesquinha do adeus
à solidão sem amor nem tesão.

Abracei o mar, na fúria de uma onda destruidora
como todas as ondas gigantes em forma de pesadelo
perdi o medo das consequência, do pecado sem significado
segui sem preocupações até te ver
até sentir que o amor poderia ser algo superior à morte
e rezei, rezei como nunca soube nem quis
e tudo escureceu em volta
em desejos oprimidos pela realidade tensa
mas Poseidon continuava a ser o meu desejo imerso
numa conclusão longe de assentar definições.

Não, não tenho paixão pelo dias de hoje
não sinto o amor que devia
apenas o mar entende a ausência do amor que não tenho
apenas a sua força destruidora, apaziguadora
me fará renascer para além da Atlântida
num qualquer outro continente perdido.

Não creio nesse amor que todos apregoam
na doçura de um espírito sem ardor
apenas a solidão, o desconhecido,
o mar nas suas idiossincrasias me fascina

Com o mar não há desapontamento
apenas um fim em caso de afrontamento...
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Comentários:

da amiga Paula Silva:

Manuel meu amigo virtual nunca jamais esquecido obrigada por me enviares o teu blog é lindo querido amigo eu te desejo um maravilhoso ano de 2007
abraços desta tua grande amiga
Paula Silva
Sábado, Dezembro 30, 2006


link para o áudio

domingo, 3 de junho de 2007

Cratera





O corpo jaz cansado pela loucura não suprimida
As cicatrizes da existência que urge esquecer
Tudo está lá para sempre, mesmo sorrindo, mesmo avançando

Pela inveja dos que não sabem crescer
De ter vontade própria
De apenas copiarem os sentidos
Convinha fazer uma prece ao Senhor para os levar consigo
Para aquele mundo de contenção

O corpo jaz cansado e sem vontade de recuperar
Pela mente casada com o ridículo e banal
E tudo o que envolve a vida da rotina
Apenas um precipício por onde apetece fugir

E no entanto a vida continua
Dentro de camadas vegetais
Que nos entorpecem
Que nos acanham a inteligência
Por um sorriso conveniente
Apenas ir sem saber porquê...

Abriu-se uma cratera na minha alma
Avisto a lava escaldante com os seus vapores envenenados
Prestes a explodir
Prestes a acabar com a vulgar consciência dos vendidos

E apenas quero viver
Apenas quero seguir caminho pela tranquilidade
Do sopé da montanha
Olhar para cima e ver ter tempo para respirar
Sem que a cratera se encha dos medos inculcados

O corpo jaz cansado
Entorpece a mente com a infelicidade
Mas a vontade segue firme
O coração bate compassado
A alma está desencarcerada...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Terra





A vida gira à volta dos passeios sujos
As pessoas acotovelam-se para subirem ao Olimpo
Meros suores frios pela existência errática
Os prazeres da mera contemplação, ausentes
Para sempre

Seguem os desprovidos de sentido
Os inquietos pela ausência da paz podre
Como é triste receber qualquer advertência
Incutir amor próprio e ondas de paixão
Ser apenas e só diferente

E poder ver a luz do Sol
Só depois de muito penar
Apenas naqueles dias em que apetece fechar os olhos
Por vezes nem querer acordar
A violência da ausência tudo fere, tudo destrói

Terra de sentidos em sentido
Gemidos inconsequentes de prazenteira inocuidade
Os podres com vida dominam na mediocridade
Semeiam os ventos de atroz banalidade
De inconsciente alarido...

terça-feira, 22 de maio de 2007

Embrutecido





A ridícula vénia de aprendizagem
O senhor doutor que passa célere pela insignificância alheia
Ele que representa potenciando-a
Estupidifica-me

E eu assim robotizado
Perco em cerimónia ausente cada neurónio
Em cada dia enegrecido, despido de conceitos
Não procuro pelas forças do além que me protejam

E a melodia vã que me cerca
As memórias das mulheres nuas de vida
Como as quis amar para nada
Como as quis respeitar e vilipendiado fui

Não desisti
Apenas o conceito encalhou
Numa solidão sem perdão
Não mais vou ter aquele conceito de frugalidade
De pequenas poeiras cheias de sentido

A força do ridículo embrutece-me o espírito
A crispação submete o cérebro ao corpo dispensável
Como me sinto sujo
Ensandecido...






1 abraços:

joão jacinto & poemas
(blogue de visita obrigatória!!!)disse...

Olá Manuel

Parabéns,
pelo blogue e pelo livro!
Desejo-lhe muito sucesso!
Quero estar presente, no evento.
Um grande abraço,
jj
Domingo, Fevereiro 04, 2007

domingo, 20 de maio de 2007

Vazio





Podias parar para pensar um pouco?
Deixar essas fórmulas de felicidade oca para depois
Senta-te, escuta o que tenho para te dizer
Ouve o canto das cigarras uma vez que seja
Deixa essa ignóbil indiferença pela vida
Uma mera vez que seja

Queria sentir-te outra, alguma alegria verdadeira
Apenas vejo vazio dentro de ti
Jesus acompanha-te, faz-te companhia e acendes as velinhas pelos santos
Rezas o terço, pedes paz e protecção
E pensar por ti, pensas... o que fazes afinal?
O fim do mundo é já aqui e tudo vai ficar por fazer
E vives trancada dentro desse medo fatal
Gemendo prazeres ausentes para sempre

A melodia entorpece-me a inteligência
Conforto-me na tua vida vazia e submissa
Aconchego a carne na ignomínia dos teus sentidos
Ai quão feliz tu te sentes na vanguarda da inteligência oca
E pedes que te ame, imploras que te acompanhe
Que venere os ídolos de barro
Que troque o pai terreno pela incógnita
Não quero...

Insurrecto





Dentro da minha viatura escura
Uma profunda consternação pelo ódio circundante
Todos pegavam nas suas tochas
Prontos para queimar a vida do próximo
Para festejar a sua estupidez

Acelero a fundo pela avenida fora
Um ignóbil revira os olhos pela liberdade auto proclamada
Transporta a suprema manifestação de irracionalidade
Racismo, leviandade profana de destabilizar porque sim

E passo-lhe então por cima?
Transporto a cruz pesada pelo resto da vida?
Não me peçam a paz para os odiosos que matam
Não deem amor onde é preciso correcção
Ele não será inculcado, generosamente instigado
NÃO!

Mas eu, dentro da minha viatura escura
Na noite de uma existência carregada de fogo profano
Ouço as notícias na rádio
E todos enlouqueceram na sua cegueira pelo ódio
E as lágrimas correram-me pela cara abaixo

Gritei, gritei tão alto e tão forte que eles tiveram que parar
E tudo serenou, acalmou na voragem da guerra suja
De vidas sem sentido, sem contemplação ou afectos simples

Fui insurrecto na vertigem da banalidade dos submissos
Os que odiavam não tinham a liberdade ansiada
Nunca a poderão ter, nunca poderão pensar por eles próprios...

sábado, 19 de maio de 2007

Repousei Porque Abdiquei





Lutar pela sobreposição da dignidade perante o fracasso
Ficou desde cedo acordada a informação melhor adequada ao destino
Como se fosse possível enganar a presença latente da morte.
Encolher os ombros e resignar torna-se então o mais fácil
Cresce então o entusiasmo pela vulgar condição de ser humano.
Nunca nada há-de provocar a abdicação da alma, mesmo desencorajada,
o corpo nunca se há-de sobrepor à superior condição do espírito

Porque Esqueci Não Lembrei




Os meninos que brincavam lá fora à beira do precipício
A correrem dentro da sua inocência inquieta
Os meninos não viram chegar o nevoeiro denso
Vindo do além sem se saber para quem
Os meninos, que foram engolidos na voragem da necessidade cruel, injusta,
soltaram gritos de dor ao vento que levava as respostas.
Os meninos cresceram depressa esquecendo o que ainda são


link para o áudio

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Noite de Vida Sem Amanhecer





Encostado ao sofá sem tamanho suficiente que abrigasse tudo,
semi-cerrei os olhos pensando em como seria ao amanhecer,
quando fosse ao teu encontro provocando o desejo escondido.
Mas a noite não tem forma de abalar, não quer partir,
o amor é apenas uma fantasia a quente sem pudor.
Ficaram as recordações oportunas para desculpar erros futuros.
Aqui jaz um amor vivo trasladado para o comum dos mortais

domingo, 13 de maio de 2007

Como Tem Tempo Não Tem Pressa



Ao quedar-se naquele sonho inacabado, violento
Seguiu caminho pela estrada tortuosa do purgatório, a vida
Outros seres cabisbaixos seguiam-no, algo perplexos
A sua infinita calma, avalizada sabedoria, tudo os fez olhar
Todo o tempo da eternidade para explicar o que tinha de ser feito
As chagas demonstravam o real sofrimento dissimulado pelo amor
E ele engolia todos os pecados do mundo, pela salvação possível

Bom Servo das Leis Fatais






Despeço-te da vida fácil com a rude fantasia destroçada
Encosto a minha mão ao teu colo de cores vibrantes, sempre suave
Gemes saciada com a dívida de satisfação pouco empolgada
A tua boca abre-se para depois seguir saciada do desejo imperioso
Olhas então para mim com o espanto de uma criança
As palavras fluem intermitentes através de olhar profundo
E por fim adulta numa simples realidade...

Tudo é Nocturno e Confuso





Acentua-se o movimento de desgaste
O corpo mexe-se baseado num objecto
A escuridão acentua-se por entre o burburinho inquietante
Avista-se um mero sussurro de fantasma empedernido
Metamorfoseia-se a complicação do ser aparente
Bebo o vinho que se diz ser o sangue Dele
Mas o vício mantém-se forte...

sábado, 12 de maio de 2007

Mentiras Quase Inocentes





Todos os dias aquele sorriso
Uma circunstância feliz
O que faz apetecer chegar
Envolver o corpo
Deixar-se ir

E o consumo acelerado diário
Algo esquecido para a noite serena
Algo paira no ar
Mas não apetece saber
Sabe bem o beijo ardente

Lá fora um pouco de frio
O pensamento posto noutro lugar
A vida numa encruzilhada
Mas o sorriso permanece
Apesar do medo latente da descoberta

E o pequeno pormenor
Aquela vez em que virou a boca
Em que os olhos cruzaram o nada
Algo ficou a pairar no ar
Mas o sorriso permanece

E um dia chega mais tarde
Com um ramo de rosas viçosas
A festejar algo
Uma surpresa agradável
E o medo a aumentar sem fim

E um dia ela não aparece
E algo acontece
Um carrossel de sentimentos a pairar
Desce à Terra para saciar a carne
Mesmo que tudo seja fantasia

E um dia o sorriso vai-se
O amor fica por fazer
E a mentira latente impede o diálogo
Apenas a lamentação fica
De o hábito poder deixar de ser

E nenhum dia mais
Ver aquele sorriso meigo
A cegueira que dominou o corpo
Os pormenores que trocaram de sitio
Sem aviso, sem atenção

E ela foi-se embora
Nem houve lugar para pensar
E ele nunca percebeu o porquê
De uma história de pequenos capítulos
Preenchidos com ternura, alguma atenção, imaginação

E as vezes do dizer do amor
Apenas para silenciar a dor
Foram-se embora
Ficando a justa provação
Mas o sorriso encantador...


link para o áudio

Eternamente Excluídos





Pontifica a relação cordial
Lançando o sorriso de circunstância
Petrificando o amor encalhado no peito
A noite segue o seu caminho inexorável
Rumo ao contínuo prazer de copular

E depois de sujar o corpo e sorrirem satisfeitos
Apenas vestir o preconceito sempre presente
Seguir pela floresta abandonada
Ao som de um baixo eléctrico e melodioso
Aqui jazem os excluídos da sociedade

E depois de avistarem os primeiros raios de luz
Degustarem um pouco mais de cada corpo oferecido
Um grito lancinante que assusta a águia imperial
Algo majestoso que não era preciso interromper
Vibram na insanidade fatal de enganar

E ao contemplar a dor da humilhação
Da doença no coração
Algo impeditivo de provocar felicidade
Os excluídos dançam freneticamente
Sonhando na ignomínia de uma insolúvel viagem

Não liguem aos excluídos
Façam de conta que a vossa vida pode ter algo melhor

Envelheçam os sentidos
Recordem as pisadas no caminho tortuoso da vida

Glorifiquem a vontade de desbravar a noção de alegria
Algo que contínuo incessantemente à procura
Alguém que saiba o que é a alegria
Que nunca tive dentro de mim
Não sei o que é
Alguém me explica?


Somos Sombras de Quem Somos




Não me pressiones
A vida já anda acelerada que chegue
Os desertos são cada vez maiores
Os Oásis meras paragens
Cada vez menos intensas

E neste espaço vazio aqui ao lado
A lembrança de amor
A realidade de nada
A mentira de viver
Quando um vegetal tem mais sentimentos
E no entanto dizemos sempre que ainda não acabou

Vivo no sub mundo da consciência
Na rotina entediante de um coração jovem
Na solidão enclausurada
Da vontade própria de ter a perfeição
A minha imaginação vive uma mera imitação de vida
Alguém me leva pela consciência
Relaciono-me comigo mesmo
Com este teclado espancado
Com os recomeços permanentes

E o sorriso é sempre forçado
A frustração escondida
Ainda por esquecer
E tenho sempre outro tipo de rotina
Para entreter este vazio de sentido
Vida de poema e fantasias

Sou uma sombra do que quero ser
Os sonhos meras palavras
Apenas queria que estivesses aqui
Seria tão bom que te integrasses
Nesta interesseira e desgastada vida
Sem rei nem roque...

Amo-te
E palavras não as vejo passar disso mesmo...

A minha mãe





Saudades do olhar mais profundo que conheço
Vitórias arrancadas a ferro sem esboçar o mais pequeno tédio
Todos os sustos do mundo guardados no coração só para não me preocupar
Eu quero sempre lembrar-te
Mesmo assim à distância de um telefone
Mesmo que baste ouvir a minha voz sem precisar de fingir alegria que não tenho

Fazes hoje anos
Sempre quiseste que te enviasse um postal só a dizer olá
Apenas entregue por mim, apenas a mostrar algum amor
Sabes que nem sempre podemos estar de acordo
Mas também sei que não podia ter outra Mãe
E quase sempre a razão foge-me para o sentimento
Amor e ódio
Quando se trata de ti nada é pacifico

Sinto-te sempre a falta
Falta do que não tivemos
Falta do que ainda podemos ter
Falta do que não temos no dia a dia

E nem sempre é visível e iluminado
Quero que saibas que te amo
Apesar de o saberes
Apesar do calor desse amor te envolver o coração
Apesar de me sentir amado por ti

Mãe
Hoje fazes anos e não estás aqui
Rondas o mundo a quatro mil quilómetros
Com o pensamento dentro de mim
Sinto que a falta que nos fazemos é mútua
Apesar da frieza que nos tentam impingir
E que nós ignoramos!

Amo-te!
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
um comentário enviado em 16-01-2007:

Juℓi Ribeiro disse...

Que linda "declaração
de amor" a tua mãe...
Que coisa mais linda e meiga!
Ainda bem que existem
no mundo filhos como você!

Esta parte foi
a que mais gostei:

"Sinto-te sempre a falta
Falta do que não tivemos
Falta do que ainda podemos ter
Falta do que não temos no dia a dia

E nem sempre é visível e iluminado
Quero que saibas que te amo
Apesar de o saberes
Apesar do calor desse amor te envolver o coração
Apesar de me sentir amado por ti"

Linda poesia!
Beijo.*Juli*




Do Eterno Erro na Eterna Viagem







É verdade que sempre foi viajar
Que não quis ficar por cá
Apesar do amor envolto
Num manto de tristeza de ausência

É a verdade que não quis ficar
Teve uma coragem pouco admirada
E algo morreu pelo caminho
Semeando a loucura
Que mais tarde poderá ser um erro

E o desapontamento
A vontade de fugir do desalento
Um manobra de fácil esquecimento
Coragem ou cobardia?
Há sempre o complexo subjacente
De quem não está por dentro
E nada tem com essa intimidade

As desilusões
Os desapontamentos
As sementes de chantagem
Para depois fugir
Seria amor a quê?

É mais difícil querer ficar
Do que ficar inerte pela eternidade
É mais difícil surgir com a má cara
Do que fingir o sorriso falso
Desconstrução de barreiras
O ser humano não tem juízo nenhum...

E podia ter sido amado
Se olhasse com outros olhos
Se visse a beleza interior
Do que julgou adquirido
E como o intimidaria a viver
A lutar e a seguir outros caminhos

Descanse em paz
Homem que nunca vi
Nunca olhei
Que cometeu o pecado de não viver
Que vive agora onde precisa
Concerteza que no coração de alguém
Porque incertezas há sempre muitas...

Se Deus há
Que o proteja pela eternidade!


para os anjos suicidas...

Ao Meu Recorte Humano e Vil





Porque toleras as indecentes propostas do demónio?
Porque danças ao som de uma prece sem sentido?
O sentido da vida perdeu-se algures por aí
E eu tive que seguir ao teu lado
Sem pudor, sem rancor, apenas porque quis
Sem te lançar um dedo acusatório
Ao contrário de quem não te soube enfrentar

Há voltas infinitas a dar
Vidas inteiras de ódio por desmontar
Frustrações sempre prontas a carregar
Ausências típicas das alturas do penar

Ah mas eu estou sempre lá
Nas ruínas de uma qualquer frustração
Quando todos sorriem de costas voltadas
Quando as chamas sobejam para ti
E o conforto se afasta indefinidamente
Eu estou lá e tenho orgulho
Mesmo que demores a reconhecê-lo
Luto pelo teu amor à vida, escondido
Sou guerreiro da tua paixão escondida
Das vibrações positivas que te habitam
Sem que tu lhes dês o devido valor

Eu até posso estar errado
E tu seres a vil prece do anjo Lúcifer a cirandar
Mas em ti eu vejo a pureza dos justos
No meio da ira incongruente
Do sorriso difícil e inconstante
Da superioridade de espírito escondida
Para quem não quer ver

Eu amo-te para lá da loucura dos amores eternos
Eu puxo-te para o topo do mundo e obrigo-te a lá ficares
Eu dou-te um sorriso permanente
Mesmo que também não sinta a compreensão
Dos malditos que te odiaram
Dos injustos que te criticaram
Da deslealdade que foste vitima!

Sou o teu anjo da guarda
Vou ser sempre o que luta por ti
Mesmo sabendo que outro te vai tomar para seu amor
Cuidados redobrados para te ver feliz
És a musa inspiradora da minha luta pela justiça
Dos princípios da brilhante e oportuna compreensão
Por ti esqueço que vivo e parto para a outra dimensão!



sexta-feira, 11 de maio de 2007

Olhando bem podes ver





Podes ver-me aqui deste lado
Sonhar um mero bocado de sentido
De vida simples e convulsa
Basta apenas que olhes
Mesmo que os olhos se fechem

E ao respirar fundo
Um pouco de ti entra dentro de mim
Inebriado lanço um sorriso malandro
Com o olhar dispo-te a consciência
Entro dentro da tua envolvência
Subo ao Olimpo da efervescência

E se te amo sem saber
Se te vejo sem poder
E se a vergonha de o dizer
Suplanta toda a vontade de o fazer
Então chegou a altura de olhar
E olhando bem podes ver...