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domingo, 1 de julho de 2007

Voluptuosa





Voluptuosa sensação
e o corpo a arder
desejos concedidos
na constelação dos baixios, escorregadios.
Sémen a rodos por cima das rodas
cirandava o polícia
ao longe o bandido espreitava
e ela não se calava
sexo e mais sexo
mesmo assim de nada nos valeu!

Um Mero Beijo Ansiado




Foto de: Miriam

Um segredo bem guardado
de tal forma esquecido
que custa lembrar
senão pelas coxas roliças.
Um segredo de ancas bem torneadas
ou apenas um mero beijo ansiado
nada mais que o anseio então,
mesmo com o gemido sentido
as observações despropositadas
apenas o sonho, enquanto se demonizava.
Cedo se tornou efémero
de tão tolhido pelo medo
guardou o diálogo pelo silêncio
encostou a vida normal, às quase overdoses
e pagou, ah pagou é claro.
E na altura em que as ancas lhe eram moda
os olhos explodiam para outro reino encantado
a suprema descida aos infernos
onde todos lhe conheciam
os segredos por entre as coxas roliças.

Era milho, trigo ou talvez centeio
encontrei-a desfigurada no dobro da idade
em que me lançara a maldição do desamor.
Encontrei a sua natural indiferença
algo sempre natural
desencantado e sem provocar pranto.
Adiante.

sábado, 30 de junho de 2007

Mãos sujas do demónio



É tarde
Não há perdão possível
Mataste, violaste, espancaste
Porque hás-de ser perdoado?

É tarde
Como lavar as mãos do pecado
Fustigando o corpo?
Cumprindo as promessas já pagas?

É tarde
O Senhor Jesus já cumpriu a penitência
E mesmo assim queres perdão
Quando já nada há a fazer

É tarde
Muito depois da vida perdida
Não vale pedires ao além
A complacência pela ira descontrolada

É tarde
Para quê ir avante com isto?
Se o amor se foi
E apenas restou o desprezo

É tarde
Jesus já foi crucificado
De nada vale lavares as mãos
Pedir o nojo às multidões iradas

É tarde
Para recomeçar de novo
O fim é o meio mais apetecível
Não tem perdão o que fizeste

É tarde
Para recomeçar no amor
Depois de matar, violar, espancar
É verdade, não há perdão para ti

É tarde
Não invoques o nome do Senhor
Se ele te perdoa
Tudo fica em causa

É tarde
Se nem Deus ou o Senhor Jesus
Te usam como exemplo
Do que não pode acontecer

É tarde
Para te converteres
Tens as mãos sujas do ódio
Que não te ensinaram

É tarde
Demasiado tarde para aprenderes
E o sacrifício é necessário
O mundo não precisa de ti

É tarde
E no entanto
Segues indiferente
Ao mal que provocas

É tarde
Mas ainda há quem te deseje
Quem te vanglorie
Quem se humilhe a teus pés...

A Promessa Escondida





Sentidos pêsames que tenho de continuar
Que me importa a morte, se a vida vale tudo
Acrescenta e avoluma as incertezas
No dia do juízo final

Sentidos pêsames, aceita-os
Não me aborreças mais
E se quiseres entrar
Acrescenta, põe fé nos teus actos
Para quê vivêres nesse limbo sem sentido

Sentido perante os pêsames
Da ignomínia dos fúteis no amor
Os que me provocam agonia e torpor
Escondendo o belo da minha vista
Raios os partam

Sentidos pêsames meus inúteis
Que provocaram a ignorância
O enclausuramento do romance
Promessas e mais promessas
Desconstrução de mitos
De vida no papel
Orgulho pelo finado residente

Apenas aceita rápido os pêsames
O negócio continua!

O Mais Comum Horizonte





Um filho da puta de um dia aziago
Apesar das formigas seguirem certas no carreiro
Ou talvez a certeza seja o fracasso
A solidão, canção diária
E depois num repentino acto tresloucado
Num amputado desejo de voar
Seguem os sonhos
Habitam os desejos mais profundos
A consciência deturpada.

Contemplai então a formiga
O labor correcto e ordenado
O silêncio natural
Negligência, descuido, ausente
Tudo sem ligações
Apenas a mera indiferença
E o tempo segue o seu curso

O mesmo olhar de sempre
Inalar os mesmos produtos tóxicos
Da morte lenta e inodora
Compreensão do inalcançável perfeccionismo
Apenas um olhar penetrante
Ofuscado pela morte
Encostado ao deserto

Converso Com o Verso





Presságio de bom tempo
Balizada opinião do capelão
Então deu-se a fuga
Para a frente da batalha
Que depois sempre encalha.
A maralha segue junta
E promessas às remessas
Veio o homem, simplesmente
Mais comum, sem importância
Na distância inconformada, baralhada

Presságio de mau tempo
Olha bem ao cata-vento
Revira os olhos maltratados
Vê o mar enfurecer
Teme bem por permanecer
E se alguém desaparecesse
Berrasse perante asas cortadas
Judia meu animal selvagem
Faz de conta holograma
Nunca foste, não és
A realidade separada, pormenorizada
Sentido ausente, nexo arremessado
Vida de perdição, massacrada
Ouve o coração bater

Qualquer Raiva Escondida





Agora, em absoluto silêncio poderei consultar o coração desavindo com a vida,
Afiançar que afinal não é problema de inveja, o sentimento de posse do alheio
A construção de novos horizontes baseados no que está feito e sem o respeito
Agora posso dizer-te que a loucura provocada pela ira me destrói o bom senso
Dá louros de vitória ensandecida a quem me provoca a ruptura da boa vontade
Oh como gostaria de me poder vingar num acto tresloucado, impensado, inglório?
Pois claro, mera estupidez na escolha dos métodos, insensato na resolução de problemas
Agora que estou apenas a ouvir o meu respirar bem até ao fundos dos pulmões
A sentir as pálpebras pesadas, a cabeça a latejar da rotina indesejada
Vou até ao fundo do poço do meu sub consciente, inútil, que teima em descansar
Como se olhar chegasse para que o mundo gire noutro sentido qualquer
Como se as marés mudassem de rumo, ancoradas num qualquer infortúnio
Será possível de entender como se pode ter tanta raiva escondida, camuflada
De amor e compreensão que cedo se tornam uma gigante frustração e então
Provoca tremores de fundada confusão pela constante contradição no senão
De ter que mudar constantemente de ideias que até são positivas.
Agora que estou dentro do meu mundo sem que sinta pensarem sequer em mim
Questiono a forte vontade de dedicação em que até o transformaria
Será possível arranjar pontos de real interesse para sentir o desejo
Para que esse amor espalhado pelo mundo pudesse amansar a minha ira?
O ódio habita a mente de uma forma tão intensa como o amor puro
Não há como conseguir negá-lo, humilhá-lo ou simplesmente exterminá-lo
Apenas focar a mente na fogueira benigna da evolução sustentada
E se depois constatarmos que o amor começa a tomar o lugar da insuficiência
Então saberemos acabar os nossos dias com dignidade

Sentidos Diferentes



Houve quem me rogasse a praga da solidão
Sei que por dentro sou bem vivo e acompanhado
O amor guia todos os meus passos
É tudo o que me mantém vivo

Para quê tratar-me
Se sou a cura para os meus males?
Males de falta de amor
De falta da companhia que siga a meu lado
Não atrás
Nem à frente
Apenas de mão dada
Apenas abraçada
Apenas um ridículo beijo

E se calhar mereço o castigo
O crime de querer alguém perfeito
Dentro de muitas imperfeições
Alguém apenas humano
Apenas algo parecido comigo
Soa a condenação
Com vista fabulosa
Inalcançável...

Amem e sejam amados
O ser humano não foi feito para estar sozinho
É demasiado fraco para isso
E como eu sou fraco
Como me enfraquece a estupidez e inveja
Como invoco a Fénix
Para renascer sempre e cada vez mais forte
E até o consigo, sem sorrir porém

Não há ninguém que me consiga
Dar alegria
Não apenas o que eu queria
Um mero gosto pelo presente sempre vazio
Sempre pontilhado por felicidade distante

Não acredito em promessas
Não sou crente na vida que levo
Apenas creio que posso mostrar
O melhor que tenho cá dentro
Não apenas a mim
Sem me sentir um criminoso
Por crimes que nem cometi

Solidão





Quisera pedir a Deus outro tipo de pessoas
Mas não acredito em Deus
E as pessoas eu sei que as há melhores

Quisera pedir a Deus outro tipo de vida
Mas não acredito em Deus
E esta é a vida que fiz para mim

Quisera pedir a Deus outro tipo de consciência
Mas se Deus não me preenche o vazio
E esta é a consciência que me habita

Quisera pedir a Deus a fortuna da alegria
Mas se não há Deus em mim
E a alegria nunca lhe conheci o significado
... ... ... ... ... ... ... ... ...
Apenas carência de afecto
Nunca suprimida pelo irreal
Pela crença dos humanos
Algo apenas ilusório

Ah a fé
Ah a desgraça das drogas
Ah tudo o que é ópio para as multidões
Ah que tudo continua na mesma

E se um dia serenar o espírito
O corpo deixar de habitar
Cada cheiro de si próprio
A vida a dois será doce insubmissão
... ... ... ... ... ... ... ... ...
Na doce melodia escutada do teu coração
Na amarga e nunca entendida separação
Na desistência fácil de um amor que já foi
Na cruel voragem do maldito dinheiro

Ambos nos perdemos no cansaço inútil
Os outros, ai os outros
Sempre os outros
Chegou o nosso tempo, Nós!

E se a solidão fugir a sete pés
Seremos sempre nós a procurá-la
Na falta de tacto pelo entendimento tácito
Na aceitação de algum espaço livre
… ... ... ... ... ... ... ... ...
Se te amo?
Podia utilizar aquela expressão,
' não tenho tempo para pensar nisso '
Apenas tenho tempo para ficar louco

E de que importa amar
Sonhar com um travesseiro
Ter a companhia do frio nocturno
A ausência do calor diurno

O Sol foge de mim
Eu provoco-lhe ânsias
Desejos de fuga eterna
E se houvesse alguma mudança?

Submerso





No lado errado de um conceito maior
Amor enviado para o nada, desprezado
Segues pela solidão fora à espera do infinito
Do rebuliço das manhãs chuvosas
Dos dias de aventura que não querias ter
Olhas em frente e o que vês?
Um mundo lá fora ansioso, tumultuoso
E tu estás fora de ti, fechado no mundo
E segues cabisbaixo na insanidade do etéreo
Contas as estrelas do céu durante o dia
À noite fechas os olhos, nem te lembras
Que no dia seguinte tudo se volta a repetir
Que a chuva volta a cair copiosamente
O vento arrasa tudo à sua passagem
Que segues cabisbaixo, olhar vazio
Compenetrado no medo
Violentamente fragilizado
Mentes descaradamente
A tua vida é mero passar das horas
E depressa chegarás ao dia
Em que verás através de mim
Em que sentirás a fealdade do finito
Em que me contemplarás num último adeus
Para depressa seguires na tua infinita normalidade...

domingo, 24 de junho de 2007

Criança Esquecida





Crescer no medo do dia seguinte
Apenas terror ao acordar
O corpo mero saco de pancada
E a culpa nem é de ninguém
Apenas se esqueceram de uma criança
Quantas as crianças esquecidas...

domingo, 10 de junho de 2007

Perdidos?





A fogueira extinguiu-se por fim
Uma aragem fria dominou a cena
Todos se mantinham no circulo perfeito ordenado
O silêncio sepulcral provocava a ira do vento
Por cima pairava a alma do vampiro Nosferatu
Ou estaria atrás da cortina vermelha
Lá mesmo ao fundo, na curva para outra dimensão?

A noite fê-los embrenharem-se na missão desencantada
Na vibração onirica pelo regresso da confiança
E na cara sem luz recebiam a fria aragem da morte
Ou seria um mero ofuscar de sentidos imersos na dor?
Como num limbo sem chamas, sem nada, o nada
Apenas ficavam ali a ver tudo seguir
A inocência perdida, partida...

sábado, 9 de junho de 2007

Sufoco





Encosto-me à porta de saída
Subo repentinamente para o topo do mundo
Lá em baixo dizem-se vivos
Apenas os vejo como pontos difusos
Meras formigas obreiras sem sentido

E falam-me da vida
Dos sonhos maravilhosos
Amor para sempre e essa entente
É tudo tão florido e agonizante
Mas o pensamento supera a maldição da solidão

Consciências ordeiras e liminares
Enganam-se com promessas de vitória engalanada
Deturpam a genuína vontade do saber fazer
Seguem dentro da sua moral forçada
Estupidificante

Não sinto alegria
A vontade de te querer é demasiada
A violência da tua ausência enlouquece-me
O ar que respiro é pesado
A porta atrás fechou-se de repente...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Violência Doméstica




para as mulheres que parece terem nascido só para sofrer


Na véspera do casamento uma surpresa
Tanto haviam eles discutido os árabes
E ele apareceu com um copo a mais em casa
Bateu-lhe sem motivo

Ela, surpresa, deixou-se ficar
Agora era tarde para cancelar o sonho de vida a dois
E ele lá lhe explicou a fúria
E ela lá entendeu perdoando

E eles casaram
Foram felizes durante um ano
Tiveram um filho
E tudo parecia esquecido

E ele recomeçou a beber
Ela havia deixado de trabalhar
Afinal ele até ganhava bem
E o filho teria melhor educação

E um dia ele tinha bebido demais
Chegou a casa e quis fornicar
Ela estava cansada do trabalho em casa
Do choro do menino, de ele não a acarinhar

Então disse-lhe que não
E ele pegou num cinto, bateu-lhe
Ligou o rádio bem alto para mais ninguém ouvir
E bateu-lhe, ignorando o choro do bebé

E os dias sucederam-se no medo
Na voragem das torturas e ameaças
E ela chorava os dias sem parar
Não queria ir embora para o menino não sofrer

E ele batia-lhe cada vez mais
Via-se o ar de satisfação na besta
E ela revoltava-se, mas engolia em seco
Deixava-se violar para ele acalmar, em vão

E um dia ela fugiu com o menino
Escondeu-se em casa dos pais envelhecidos
Na incredulidade das manchas da existência
E prometeram levá-lo a tribunal

E um dia ele apanhou-a desprevenida
Levou-a para a floresta e amarrou-a
Encostou-lhe a arma à boca
' E agora despede-te minha puta que nunca mais vês o teu filho ‘

E ele deixou-a ir, satisfeito pelo terror
E pôs-lhe uma acção em tribunal para ter o filho com ele
E ela fingiu ter-lhe perdoado tudo
Pôs-se debaixo dele para ser seviciada

E quando estava a dormir
Pegou numa faca de cozinha
E degolou-lhe a maldade
E criminosa ordinária foi condenada pelo sistema...

link para:

áudio

e

vídeo no youtube

Atropelados



dedicado aos que partiram para sempre nas estradas


Um dia resolveram mudar-se
Pegaram no passado e deixaram-no esquecido
Seguiram com os filhos para uma nova vida
Novos horizontes, novas alegrias

... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Apenas mais um copo para a despedida
Afinal uma idade respeitável, 50 anos
Parecia que acalmava o espírito da ira subjacente
Um sorriso atravessou-lhe a face enrugada

... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Entraram todos dentro do carro
A maturidade na família adivinhava futuro risonho
As filhas adolescentes sonhavam os sonhos imberbes
Até chegarem ao destino final apenas umas horas

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Sempre fora algo irresponsável com a bebida
Apesar da sorte o acompanhar pela noite fora
Sempre se irritara com os jovens incautos
E esta noite uma ultrapassagem mal medida

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A viagem foi tranquila, todos os sonhos couberam no espaço exíguo
Os mais velhos tinham a preocupação da arrumação
Dos pormenores banais de uma mudança por fim no destino
E saíram para a rua, para a noite calma e fresca

... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

O homem de meia idade enfureceu-se
Perante a brutal desonestidade do outro condutor
Que lhe feriu o orgulho macho superior
E perseguiu tresloucado o infractor do seu código pessoal

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Os quatro cá fora, os pais a organizarem a entrada no novo sonho
Ambas as meninas a assistirem
E lá longe a rua iluminada
Na extensão da estrada toda

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Tresloucado, com a fúria assassina no auge
Nem se lembrou de olhar para os peões
Para a interrupção de sonhos de uma vida normal
E embateu com toda a violência
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As meninas gritaram com toda a força
A ajuda pelas almas que já pairavam em desespero
Os vizinhos ouviram, como ouvem sempre
E o assassino fugiu ensanguentado, mas vivo
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Ficou desorientado, tinha acabado de provar o que queria
Pelas linhas tortas da profunda injustiça
Mas fugiu a cambalear
A policia o apanhou

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E as meninas ficaram sem pais
O sonho de uma nova vida
Daqueles planos normais
Tudo destruído para sempre

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Foi encostado pelo polícia enfurecido
Cheirava a álcool mas estava muito combalido
O suficiente para não lhe ser feito o teste
' Vai lá para casa que só mataste dois '

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quinta-feira, 24 de maio de 2007

Liberdade



Os podres com vida compactuam no seu lodo
Ensinam as suas mirabolantes canções inócuas
Lançam a chama da ignorância
Semeiam a putrefacta melodia do banal
Prendem-me os sentidos num inferno sem chamas

E os passos compassados dos senhores em fila
Armas ao ombro, prontos a disparar contra a liberdade
Sentido individual de querer, mera desconstrução
O sangue gela nas veias, a estupidez nunca pára
A doença dissemina-se pelo cérebro dos incautos

Qual liberdade?
A senhora de idade avançada que chora compulsivamente
O neto perdido numa guerra sem fim
E os senhores que mandam sentados apenas semeando destruição
Qual a nossa função de humanos no meio disto?

sábado, 19 de maio de 2007

Caminhando Contra o Vento




Autor da foto: Pedro N S Costa


A satisfação pelas caminhadas solitárias na opinião divergente
Empurrou a frenética vontade de dissimular passividade mental
para fora da alma fortalecida pelas arbitrariedades.
E uma qualquer doença que destabilize as entranhas,
a profunda vontade de viver a superará
O vento terá as suas razões de pôr a vida em ponto terminal
de derrota insatisfatória, de contrariar o fim com a letal vontade de amar!

Um Movimento de Correr Perdido






A ânsia de chegar sempre mais longe, esgotada
O sorriso balança entre a tristeza crónica e a descrença
Como um louco corri ensandecido, o sangue ardia de dor
jorrando por todos os lados golpeados pelo amor.
E um amor assim de horror perdeu-se no limbo da ténue
linha que separa a sanidade da loucura.
Foi o veneno da traição, da ausência e da vingança que tudo deitou a perder

Súbita Mão de Algum Fantasma Oculto





As memórias são perfeitas pela consciência adquirida
O ciúme algo de novo que não permite continuar a ilusão
De súbito tudo alterna de dimensão, a crença esvai-se
A existência é apenas dominada por dentro, algo oculta a dor
E um sorriso incompreensível já não satisfaz, não acrescenta
As perguntas foram-se, ficando as explicações sem sentido
E o museu de um passado recente tornou-se de súbito premente

Rola Mais Que o Meu Desejo



Quando se perde a noção do desejo e da criação intensa
A premência de satisfação e sublimação desvaira o ser
Quando o poema nasce vindo do nada e cresce junto a ti
Deixa de ser meu, perco a noção da sua concepção
Dedico-te então o prazer de degustares essa criação
Jamais quereria morrer sem te dar todo o meu prazer inculcado
É em ti que penso quando escrevo e me perco num qualquer pensamento