terça-feira, 2 de dezembro de 2008

050 A quem eu dispo

Cansei de ser sexy


Há momentos de pura luxúria que apetecia manter ancorados na alma, em permanência, como contrabalanço dos constantes desânimos e provas de fé a que somos permanentemente sujeitos.

É perfeitamente constrangedor que gozarmos esse estado de graça para a alma e satisfação para o corpo quase que merece a excomunhão, até a fogueira se ela existisse e a vida fosse assim retirada.

A quem eu dispo, seja o corpo ou a consciência, só a nós diz respeito, mesmo acusado sabe-se lá do quê. Quem quiser observar e comentar aquilo que vê deve primeiro pôr sempre a mão na consciência, nua de trejeitos e verificar ao mais ínfimo pormenor por defeitos, por mais que pense ser um modelo de virtudes.

São os podres encarniçados desta vida de doentias discrepâncias os que fazem mexer tudo o que há a mexer, motivando a falsidade e a mediocridade entre o próximo, na vida que convida ao desatino, às conclusões precipitadas de pessoas que dão mais do que aquilo que podem e depois se encostam à nua vontade de ajudar, porque sejamos francos, os primeiros interesses a serem satisfeitos são sempre os dos que comandam, o que deixaria de ser lógico se a vida fosse igualitariamente saboreada por cada ser humano, independentemente dos predicados físicos.

Queria essa luxúria pela vida nua de preconceitos, dores ou sementes por plantar apenas porque alguns insistem em fazer do presente de cada um um inferno sem sentido.


Acompanhante musical: Patxi Andión - Si yo fuera mujer

1 comentário:

Jornalismo Político disse...

Simplesmente divido esse texto.

Paulo Zildene
Jornalista