quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

054 Poema a meias


A sério que gostava de partilhar a imaginação, o tesão literário que é a promiscuidade de ideias entre um homem e uma mulher pelas palavras. Assim seria mais simples o caminho para a ansiada decadência com a mais insuspeita pessoa que se pudesse imaginar.

Tudo em apenas um mero poemas a meias, de pés bem juntos em meias de sonho e sem cheiros nauseabundos. Não, nada desses cheiros porque esse poema a meias, com meias ou meias medidas ou ainda descalço seria uma perfeita orgia de sentidos decadentes e se faz favor tira os dentes, não mordas com força e cuidado como pões as meias, a orgia e ainda desfalecia.

E só o facto de ser um poema a meias imaginaria a suave tentação de lhe tirar as meias, desnudando o poema, pondo a descoberto o esquema sem cenas maradas que complicassem o entendimento proveniente de um novo acordo ortográfico ou uma espécie nova de racismo sem pensar no cheiro da pele para além das meias que serviriam de mote para um poema, a meias.

E mesmo com as mãos cansadas, de meias, costas dobradas, imaginação desfocada e poema sem tema, apenas para encher as páginas. seguiria sem meias, mesmo medidas ou descosidas pondo a nu os aromas sem redomas ou fantasmas amantizados que me beijassem a pele por dentro das meias e as teias de apanhar pacientes, refulgentes num ataque paciente que enredaria a fria tentação de escapar para um labirinto de meias, no meio de um poema, no auge de um orgasmo desmedido e as meias no ar, cada uma para seu lado.

E assim se faria um poema a meias!


Acompanhante musical: Pet Shop Boys - Where the streets have no name (I can't take my eyes off you)

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