1.
fala-me disso
do meu lado
qualidades
alarvidades
que o tempo apaga
e nem um milhão de anos
as torna verdades
vai-te foder!
2.
tens essa fúria
de levantar vozes
e seguir no gozo
sem que ela siga
o mesmo orgasmo
e nem te dás conta
da merda em que habitas
do desdém que possibilitas
sai de casa
abandona essa pose irritante
afoga-te
desaparece
não temos pressa
de te ver
de sequer saber
que cá andas...
3.
mal e mal e mal
um forte desejo de conquistar
os morangos
sem doce
nem caroço
para te engasgares
porém não pares de lutar
o céu sempre tem tons de azul
no meio desse negro impoluto
4.
os pecados são dados a escolher
entre vitórias impossíveis de esconder
ainda assim a mentira
a necessária partitura
de sorrisos estúpidos
que nem rugas levantam
não tens sequer tempo para vibrar
29-10-2010
domingo, 7 de novembro de 2010
vibrante no céu aberto
1.
sabes não há tempo
para ver o Sol
as letras pequenas
dos contratos
tudo me ocupa espaço
e o coração
depois pára
e como pagar
as multas
os desvarios
as temperanças
de quem precisa
de mim de ti e então
desculpa lá
o meu silêncio
a demência dos dias
de chuva e o incenso
para afastar os fantasmas
só frustração...
2.
o céu inclinado
sobre as bestas
afogadas
na aberta sensação
de cheiro a merda
talvez amanhã
que hoje não há tempo
não há buraco
não tapo
não há rabo
não há trapo
que limpe
o esgoto
vibrante
no teu ventre aberto...
3.
para tu veres
os passos
as anchovas
a vinte e tal
por cento
e centos de contos
pelo ralo abaixo
e mostra-me essa realidade
do amanhã
das criancinhas aos saltos
no vazio
e as anchovas
a vinte e tal por cento
4.
por certo
o assalto
das bolsas furadas
sempre as mesmas enxurradas
se abraçam
ao fantasma
que vive sempre ali
agarrado ao teu nada
vibra
vibra doido
e tu até sorris
sabe-te bem
nem sabes o quê...
sabes não há tempo
para ver o Sol
as letras pequenas
dos contratos
tudo me ocupa espaço
e o coração
depois pára
e como pagar
as multas
os desvarios
as temperanças
de quem precisa
de mim de ti e então
desculpa lá
o meu silêncio
a demência dos dias
de chuva e o incenso
para afastar os fantasmas
só frustração...
2.
o céu inclinado
sobre as bestas
afogadas
na aberta sensação
de cheiro a merda
talvez amanhã
que hoje não há tempo
não há buraco
não tapo
não há rabo
não há trapo
que limpe
o esgoto
vibrante
no teu ventre aberto...
3.
para tu veres
os passos
as anchovas
a vinte e tal
por cento
e centos de contos
pelo ralo abaixo
e mostra-me essa realidade
do amanhã
das criancinhas aos saltos
no vazio
e as anchovas
a vinte e tal por cento
4.
por certo
o assalto
das bolsas furadas
sempre as mesmas enxurradas
se abraçam
ao fantasma
que vive sempre ali
agarrado ao teu nada
vibra
vibra doido
e tu até sorris
sabe-te bem
nem sabes o quê...
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bom servo das leis fatais
1.
na boca
um desejo viciante
de saliva
demorada
com gemidos
e minada
de fervor
dentro de ti
de mim
em viagem
na descoberta
dos instintos inquietos
sem que a morte
incomode o orgasmo
2.
falta a mensagem
aquele momento
insaciável
e depois nada
apenas o calor
suor em bica
e nada para dizer
apenas adeus
e desejos de sair
sem passar
aconchegar o frenesim
numa qualquer memória
inquieta
que a doçura não desperta
3.
saindo da verdade
aconchegas as dores
num vazio perfeito
e esqueces
os momentos atrozes
para um beijo perfeito
salivando as consequências
imediatas de ressuscitar
as suposições do teu amor
pelo cheiro
inebriante queda
em abismos de sensualidade
e até voltas à realidade
com um sorriso
em lábios saciados
e corpo abandonado
a um prazer infinito
e até morres feliz!
4.
aparências de prazer
sem continuidade
nada se atravessa
porque não
tinha necessidade
nem vontade
apenas sorria
mas via-lhe a maldade
ainda assim levantaram voo!
escrito em 15 de Julho de 2010
na boca
um desejo viciante
de saliva
demorada
com gemidos
e minada
de fervor
dentro de ti
de mim
em viagem
na descoberta
dos instintos inquietos
sem que a morte
incomode o orgasmo
2.
falta a mensagem
aquele momento
insaciável
e depois nada
apenas o calor
suor em bica
e nada para dizer
apenas adeus
e desejos de sair
sem passar
aconchegar o frenesim
numa qualquer memória
inquieta
que a doçura não desperta
3.
saindo da verdade
aconchegas as dores
num vazio perfeito
e esqueces
os momentos atrozes
para um beijo perfeito
salivando as consequências
imediatas de ressuscitar
as suposições do teu amor
pelo cheiro
inebriante queda
em abismos de sensualidade
e até voltas à realidade
com um sorriso
em lábios saciados
e corpo abandonado
a um prazer infinito
e até morres feliz!
4.
aparências de prazer
sem continuidade
nada se atravessa
porque não
tinha necessidade
nem vontade
apenas sorria
mas via-lhe a maldade
ainda assim levantaram voo!
escrito em 15 de Julho de 2010
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tudo é nocturno e confuso
1.
esperando nas alturas
planando como um pássaro
todos sabem
está morto
mas ele não sabe
e quem morre assim?
esperando e vendo
o azul do céu
em tons de cinza
enegrecido
em tons de luar
vampirizado
em tons de nada
e deus por onde anda?
2.
falava-se da independência
dos projectos e da paz
a merda solta
noutro planeta
e todos felizes
mas o Sol pôs-se
e tudo voltou a ser negro
uma confusão crónica
3.
os sinos tocaram
os bois fugiram
e as velhas saltaram
o demónio solto
sem saias ou tédio
noite estrelada
apenas orgasmos e inquietação
4.
e o desgaste
das princesas
em pixels e cara lavada
dinamite na boca
e escuridão na alma
apenas aparência
de inferno sem chamas
escrito entre Maio e Julho de 2010
esperando nas alturas
planando como um pássaro
todos sabem
está morto
mas ele não sabe
e quem morre assim?
esperando e vendo
o azul do céu
em tons de cinza
enegrecido
em tons de luar
vampirizado
em tons de nada
e deus por onde anda?
2.
falava-se da independência
dos projectos e da paz
a merda solta
noutro planeta
e todos felizes
mas o Sol pôs-se
e tudo voltou a ser negro
uma confusão crónica
3.
os sinos tocaram
os bois fugiram
e as velhas saltaram
o demónio solto
sem saias ou tédio
noite estrelada
apenas orgasmos e inquietação
4.
e o desgaste
das princesas
em pixels e cara lavada
dinamite na boca
e escuridão na alma
apenas aparência
de inferno sem chamas
escrito entre Maio e Julho de 2010
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que a minha consciência de ilusão
1.
fugia de algo
a correr sem alma
o corpo abandonado
a uma velocidade trepidante
e a vida era assim mesmo
e fugia cada vez mais
depressa e sem saber
o porquê de tanto medo
2.
do outro lado
seguro apenas o vazio
apesar das lágrimas
do adeus sem deus
apenas raiva
muito ódio comprimido
sementes do diabo à espreita
e fumei outro charro...
3.
fora de serviço
sem controle definido
corre corre que não te esperam
a fata morgana
e vida normal nem vê-las...
4.
o mundo está azul
os corpos bóiam
e era tudo a brincar
apenas apinhados
buscavam emprego
pura ilusão
escrito em Maio de 2010
fugia de algo
a correr sem alma
o corpo abandonado
a uma velocidade trepidante
e a vida era assim mesmo
e fugia cada vez mais
depressa e sem saber
o porquê de tanto medo
2.
do outro lado
seguro apenas o vazio
apesar das lágrimas
do adeus sem deus
apenas raiva
muito ódio comprimido
sementes do diabo à espreita
e fumei outro charro...
3.
fora de serviço
sem controle definido
corre corre que não te esperam
a fata morgana
e vida normal nem vê-las...
4.
o mundo está azul
os corpos bóiam
e era tudo a brincar
apenas apinhados
buscavam emprego
pura ilusão
escrito em Maio de 2010
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mentiras quase inocentes
1.
todos os dias te quero
te desejo
te amo
e te fornico
tal como tu a mim
ainda assim
não sonhamos juntos
2.
ainda agora chegaste
nos perdemos em abraços
sem fraternidade
apenas gosto
e já te foste
na barca do velho Caronte
3.
na noite fria
sem sexo a arder
vozes a gemer
apenas tortura
transformamos o amor
em doses vampíricas
de sedução intensa
até mais nada restar
senão a dor eterna
de nos amarmos
nas trevas da solidão
4.
lá em baixo
não escuto o pranto
o adeus sentido
para sempre vivo no coração
de que me vale essa chave
enquanto o corpo apodrece?
escrito em Maio de 2010
todos os dias te quero
te desejo
te amo
e te fornico
tal como tu a mim
ainda assim
não sonhamos juntos
2.
ainda agora chegaste
nos perdemos em abraços
sem fraternidade
apenas gosto
e já te foste
na barca do velho Caronte
3.
na noite fria
sem sexo a arder
vozes a gemer
apenas tortura
transformamos o amor
em doses vampíricas
de sedução intensa
até mais nada restar
senão a dor eterna
de nos amarmos
nas trevas da solidão
4.
lá em baixo
não escuto o pranto
o adeus sentido
para sempre vivo no coração
de que me vale essa chave
enquanto o corpo apodrece?
escrito em Maio de 2010
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
eternamente excluídos
1.
os olhos brilhavam
num vazio imenso
e buscavam
algo mais que
apenas dor
uma cor
um ardor
sementes de desejo
2.
sem alegria
entre o betão gasto
fugindo daqueles drogados
amaldiçoados pelo tempo
forjados num fosso
esquecido do inferno
esperando alucinados
pelo Apocalipse
3.
dentro da igreja
todos sentados
em pose de oração
subliminar tentação
e o senhor que chegava
humano reles e pecador
e beberam de um cálice
o do suicídio colectivo
4.
pétalas gastas
sem memórias de cor
saltos de alegria
ou amor
apenas um grito
lancinante de dor
num campo deserto
de vida
Abril de 2010
os olhos brilhavam
num vazio imenso
e buscavam
algo mais que
apenas dor
uma cor
um ardor
sementes de desejo
2.
sem alegria
entre o betão gasto
fugindo daqueles drogados
amaldiçoados pelo tempo
forjados num fosso
esquecido do inferno
esperando alucinados
pelo Apocalipse
3.
dentro da igreja
todos sentados
em pose de oração
subliminar tentação
e o senhor que chegava
humano reles e pecador
e beberam de um cálice
o do suicídio colectivo
4.
pétalas gastas
sem memórias de cor
saltos de alegria
ou amor
apenas um grito
lancinante de dor
num campo deserto
de vida
Abril de 2010
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